2022-06-24 – Luis Oliveira

Terminaram os Campeonatos da Europa 2022 que decorreram na Madeira.

No rescaldo deste evento sou invadido por sentimentos contraditórios que tentarei aqui explicar. Vamos à parte mais importante e que deveria ser a única, mas não foi.

Portugal organizou, uma vez mais, com enorme brilhantismo o evento mais importante do calendário europeu. Um facto que tive oportunidade de confirmar com as muitas pessoas com quem falei e das muitas manifestações de apreço de que tive conhecimento por parte de jogadores e capitães de equipas participantes.

Por si só este deveria ser um factor de celebração e de união no bridge nacional.

A cereja no topo do bolo veio com o brilhante 10º lugar da nossa equipa Open, que se manteve quase sempre na luta por uma classificação histórica, ensombrada apenas por um dia menos bom, que parecia ter comprometido o sonho. No entanto, no dia seguinte, lá estavam eles com a mesma garra, como só os verdadeiros campeões sabem fazer.

O último encontro foi de grande emoção e muitos nervos para quem assistia ao evoluir dos resultados. O oitavo lugar que dava acesso directo à Bermuda Bowl estava longe, mas o décimo lugar era possível, dependendo de dois factores: uma vitória clara sobre a Bélgica que se encontrava na 8ª posição, e a colaboração da Irlanda no seu embate contra a Dinamarca.

Até perto do fim as coisas estavam tremidas: Portugal cumpria a sua obrigação contra a Bélgica, mas a Dinamarca ganhava à Irlanda e não arredava da 10ª posição que dava acesso ao World Teams Championship do próximo ano.

Na penúltima mão Portugal chegou ao 10º lugar. Estava quase! Fomos para a última mão do Campeonato e para nos fazer sofrer era uma mão complicada, com possibilidade de swing num cheleme que se poderia marcar, mas não ganhar. No nosso encontro contra a Bélgica ambas as equipas se ficaram por partida. No encontro Dinamarca vs Irlanda os dinamarqueses também ficaram em partida e esperávamos pelo resultado da outra sala: se a Irlanda marcasse o cheleme iríamos ver fugir o 10º lugar.

Enorme ansiedade na sala de vugraph e o resultado sem aparecer. Sofre coração! E, enfim, a explosão de alegria, a calorosa recepção aos jogadores e capitão e a festa. Portugal tinha feito história. Nos idos anos 70 tínhamos obtido resultados similares, mas neste caso a classificação dá acesso a uma prova de grande importância e poderá mesmo acabar num apuramento para a Bermuda Bowl. Rui Pinto (Seccionador e capitão de equipa) e António Palma, João Barbosa, José Pereira Sousa, Miguel Lima, Paulo Dias e Paulo Sarmento entram para a história do bridge nacional pela porta grande. Parabéns e obrigado!

No que respeita às restantes representações nacionais, foi positiva a prestação da Selecção Feminina e da Selecção Mista, se bem que, neste último caso e atendendo ao fantástico apuramento para o Mundial, todos esperassem um pouco mais e, durante uma boa parte da prova parecia um objectivo ao nosso alcance. Já a Selecção Sénior não teve uma participação feliz.

Ao longo dos anos acompanhei as nossas representações nacionais, muitas vezes como capitão de equipa. Em todos os casos testemunhei o enorme empenho dos nossos representantes, em condições competitivas muito duras e, independentemente do resultado, a forma como sempre dignificaram o nosso bridge e a bandeira que transportavam. Daí que sempre me tenho sentido e manifestado agradecido a todos os que se disponibilizam para representar Portugal. O que faço uma vez mais a todos os jogadores e capitães. Obrigado!

À FPB que, em condições muito difíceis que todos conhecemos ou devíamos conhecer, deu corpo a este projecto. Obrigado!

“The last but not the least” uma saudação muito especial a todos os que, nos bastidores da competição e no cumprimento de múltiplas tarefas, deram brilho, muito brilho, a este evento e também eles souberam ser verdadeiros campeões. Uma saudação e agradecimento que personifico no incansável Miguel Teixeira, alma principal de tudo isto. Obrigado!

Esta crónica podia ter terminado aqui, mas infelizmente não pode. No rescaldo dos Campeonatos, quando devíamos estar a celebrar o que fizemos, quer no campo desportivo quer na impecável organização, rapidamente voltámos para dentro do saco de gatos para onde insistem em arrastar o bridge nacional.

Para uns foi a altura ideal para atacar a FPB, retirando-lhe todos os méritos pelo acontecimento. Das mais variadas origens surgiram as críticas pelas mais variadas razões. A Direcção da FPB, como todas as que a antecederam, tem cometido muitos erros. Mas como nenhuma outra que me lembre enfrentou uma situação de catástrofe, com a suspensão do bridge durante dois anos, a redução de número de praticantes e a consequente escassez de recursos financeiros.

Apesar disso e confrontada com despesas não orçamentas e muito menos financiadas como seja o apuramento da equipa mista para os Campeonatos do Mundo, encontrou soluções que não sendo (nunca são) do agrado de todos, foram as soluções possíveis. Mal ou bem, isso será assunto para outro fórum, as modalidades inseridas no NAC e, portanto, beneficiárias dos apoios federativos nas provas internacionais são Open, Senhoras e Juniores. Pode discutir-se este critério? Claro que sim e penso mesmo que se deve reanalisar o assunto à luz de uma nova realidade. Mas é o que está em vigor e foi com base na regulamentação existente que a FPB teve de tomar decisões.

É fácil dizer que deveria a FPB encontrar patrocínios para suportar estas despesas extraordinárias. Há mesmo quem defenda que seria essa a sua obrigação(???). Este argumento ou manifesta pura ignorância ou, pior, é má-fé. O bridge sempre se debateu com este tipo de dificuldades, mas nunca teve de as gerir em condições como as actuais.  

O chinquilho público é o caminho preferencial de alguma gente, sem nunca se ter visto a dar o corpo às balas, a chegar-se à frente para, em sede própria, dar uso prático à sua clarividência.

Usar o que devia ser o tempo de comemorar, de nos unirmos na celebração dos sucessos obtidos, para mais uma jornada de guerrilha, foi uma atitude fora de tempo, deplorável mesmo.

Muito francamente estou farto! Vivi na Madeira uma das experiências mais felizes nos meus 42 anos de activo envolvimento na modalidade. Aqui chegado, em vez de assistir ao partilhar dessa felicidade pela comunidade bridgística assisto, já não incrédulo por força do hábito, a mais um lamentável cenário de má-língua.

É tempo de mudar o meu chip, porque esperar que mude algo no nosso pequenino (na dimensão e no resto) mundo do bridge é uma impossibilidade que já chegou à área da metafísica.

Luís Oliveira

2022-03-07 – Luis Oliveira

De acordo com o Regulamento do Campeonato Nacional Pares Mistos publicado pela FPB a existência de uma fase final estaria sujeita a um mínimo de 24 pares participantes na fase de apuramento. Não tendo sido atingido este requisito e no caso de, mesmo assim, a FPB decidir manter a fase final duas questões se levantam:

1 – O quanto valem afinal os regulamentos publicados?

2 – No caso de se confirmar uma fase final e ser um par diferente a ganhar a prova irá haver um ou dois pares campeões nacionais? O que ganhou o apuramento e que à luz do regulamento seria o campeão nacional ou o que ganhou a final que, à luz do mesmo regulamento, não deveria ter existido?

Luis Oliveira

 

2022-02-13 – Luis Oliveira

Com a participação de apenas 16 pares, decorreu a fase de apuramento do Campeonato de Pares por IMP’s. Uma das provas com maior índice de participação no calendário oficial da ARBL reduzida a menos de metade da média de participação dos últimos anos. Quantos mais dados será necessário recolher para se perceber que o caminho que está a ser seguido não é a forma eficaz de recuperar a confiança dos praticantes? Até quando a insistência numa política desportiva errada? Será que ainda ninguém percebeu as consequências? Será que as Instituições não se dão conta da perda de praticantes e em vez de atacar as suas causas e de unir esforços nos continuamos a perder em guerrinhas que, a curto prazo, nos vão atingir a todos? É isso que se pretende?

2022-02-07 – Rafael Sacramento

Acabei de ler o texto do Manuel Oliveira; quero dizer que já tinha tomado a iniciativa de escrever à ARBL a relatar o sucedido numa das sessões do CREO, não tendo mais uma vez obtido qualquer resposta.
Quando digo sucedido refiro-me ao facto de neste CREO estarem jogadores a jogar sem máscara – caso do António Palma, por exemplo, e o árbitro ter dito a tal frase que não é polícia.
Esse mesmo e-mail foi enviado para a FPB, entidade que também não reagiu.
Entretanto surgiu mais um caso extraordinário: como estou a jogar duas provas oficiais: o Campeonato Regional de Pares por IMPs (CRPPI) e também o Campeonato Nacional de Pares Séniores (CNPS), acontece que na próxima sexta-feira dia 11 de fevereiro devo terminar a 2ª sessão do CNPS por volta da meia noite e meia e, apenas dez horas (!) depois, tenho de estar no CBL para começar a jogar o CRPPI às 10:30.
Como é possível este agendamento?
Será que a ARBL e a FPB estão de costas voltadas? Tratar-se-á de um lapso? Será deliberado?
Seja como for este facto é totalmente inaceitável: que falta de respeito pelos “estimados praticantes”, como a ARBL gosta de se referir a nós todos.
Rafael Sacramento

2022-02-05 – Manuel Oliveira

Encontra-se a decorrer desde o princípio do ano, e vai-se prolongar até meados de Abril, o Campeonato Regional de Equipas Open de Lisboa, que a ARBL decidiu fazer realizar em formato presencial.

Tratou-se na minha opinião de uma decisão pouco sensata dado que põe/pôs desnecessariamente em risco a saúde dos praticantes numa altura em que todos os dias dezenas de milhar de pessoas têm sido contaminadas com o vírus covid 19 e também diariamente se registam dezenas de mortes.

E tanto mais desnecessariamente quanto a prova se poderia realizar através do Real Bridge sem prejuízo visível.

E exactamente porque não posso correr o risco de ser contaminado, e apesar de ter levado as 3 doses da vacina anti-covid, embora esteja inscrito na prova ainda não joguei, decorrida que está a fase de qualificação na série da minha equipa; e tudo leva a crer que não sou seguramente o único praticante nestas condições ou que optou mesmo por não se inscrever.

Mas, mais grave que a decisão da ARBL, que é pelo menos discutível, é o facto de que tive conhecimento, que o director do torneio não está a proceder ao controlo do cumprimento das regras sanitárias definidas pela FPB com o argumento – que não vou qualificar – de que não é polícia, no dizer do próprio.

E o que é extraordinário é que estão a participar na prova os próprios dirigentes da ARBL e muitos dos membros da direcção da FPB e, tanto quanto sei ainda ninguém tomou uma posição sobre um assunto desta gravidade.

Então os directores de torneio nomeados para as provas oficiais não fazem cumprir os regulamentos dessas provas porque “não são polícias”???

Como é possível que o bridge de competição (há quem lhe chame desportivo!) tenha descido tão baixo? E atenção praticantes: o bridge não é o espelho dos seus dirigentes; é sim o espelho dos seus praticantes (já agora, lembro que quase todos os dirigentes são também praticantes).

Chamei várias vezes nos últimos anos a atenção para situações que considerei impróprias numa modalidade que se diz desportiva e enquanto tal pedincha apoio estatal para levar umas equipas a competições internacionais, mas, talvez porque seja o único, o que assisto é a um cada vez maior e mais generalizado desprezo pela ética.

Aqui fica o meu lamento

 Manuel Oliveira

2021-11-16 – Juliano Barbosa

Fecharam, no passado dia 12, as inscrições para a Prova de Acesso ao NAC de onde iriam sair 4 pares que, a juntar aos dois pares convidados, integrariam as sessões de preparação e de aferição que permitiriam ao Comité de Seleção escolher a equipa que representará Portugal no Campeonato da Europa de 2022.

Ora, só se inscreveram dois pares, um não elegível porque um dos seus elementos – tanto quanto fui informado – não tem nacionalidade portuguesa e o outro é o par que, para se poder inscrever, motivou a caricata descida do IV de 150 para 140  na alteração ao Regulamento previamente publicado. Chegou-se à triste situação de não haver quorum para a realização da Prova de Acesso !!!

Dos 59 jogadores que constituem as categorias 1as espadas, 1as copas e 1as ouros ( 2 jogadores de 1as ouros somam o IV necessário para participar)  apenas 6 (!!!) se inscreveram, o que perfaz cerca de 10% dos jogadores elegíveis. É claro que uma grande parte dos 53 jogadores restantes gostaria de se candidatar a representar a Seleção Nacional, não o tendo feito  porque percebeu que havia uma seleção já constituída a priori.

A Direção da Federação Portuguesa de Bridge (FPB) pode selecionar quem entender pois, embora eleita por um sistema controverso – seria mais democrático 1 filiado 1 voto -, tem legitimidade para o fazer. Não procedeu de forma aberta e transparente mas sim encapotadamente como passo a demonstrar :

  1. Tentou arredar do NAC Open os jogadores dos pares mistos que se classificaram para a Wuhan Cup oferecendo-lhes um presente envenenado ao convidá-los para jogar o Campeonato da Europa de Equipas Mistas com a condição de renunciarem à Seleção Open !!!
  2. Dispensou da Prova de Acesso ao NAC 2 pares que, como já foi dito, não mostraram, na presente época, uma superioridade clara e inequívoca sobre outros.
  3. Baixou atabalhoadamente o IV de 150 para 140 ao detetar que no Regulamento primeiramente publicado não cabia no NAC o 3º par “selecionado”.

Do ponto de vista do universo dos filados não há qualquer duvida que a Seleção seria constituída pelos pares dispensados e pelo par repescado independentemente do bridge praticado por outras parcerias.

A Direção da FPB deve tirar as devidas ilações do repúdio que os praticantes manifestaram por este processo, pela sua falta de transparência , de isenção e de espírito desportivo.

Assim, futuramente, a Seleção deverá ser apurada através de uma prova por equipas de 4  (devido à clivagem provocada pela Direção anterior e pela atual não será oportuno o apuramento por pares ) com muitas mãos jogadas para que a extensão não deixe dúvidas quanto à validade dos resultados.

 2021-11-15 – Victor Ferreira

Esta situação criada pela necessidade de formar uma selecção nacional open para o campeonato da Europa e o “arranjo” de um regulamento para o efeito, fez-me surgir uma pergunta para a qual ainda não obtive uma resposta: Será que temos 2 Seleccionadores nacionais?

 2021-11-15 – Gonçalo Zanartu

Vou tentar por por escrito a minha opinião sobre o torneio de selecção. Já a disse ao Pedro Salgueiro ,mas vou aproveitar este fórum para a escrever.

Em primeiro lugar a ideia geral é que a selecção e os torneios de selecção sejam prémios por bons desempenhos e que incentivem todos a querer participar jogar mais e a receber  “o talão dourado de participação” e outro ponto importante é que mantenham as parecerias

A Selecção é mérito de um par e não de um jogador este só terá acesso a ficar na selecção se mantiver a pareceria caso a destrua terá de se sujeitar como todos os outros a nova candidatura

Eu sou matemático e tenho a maior dificuldade a  escrever sem ser por tópicos (e se alguém quiser pontuar facilita-me a vida).

A Selecção

1 – a Selecção deve ser por dois anos o primeiro ano será onde se apura, e joga os primeiros torneios internacionais o segundo ano será a continuação treino através do NAC e finalmente o europeu

2 – o NAC deve ser constituído no mínimo por 10 pares, pois mesmo com 10 pares a certa altura conhecemo-nos todos e conhecemos a maneira como cada par joga e cria vícios não acresce a diversidade

Se desses 10 pares a escolha da  de quem vai jogar a selecção é por mérito ou escolha de  selecionador deixo ao vosso critério. penso que a decisão poderia ser decidida pelos 10 pares que pertencem ao NAC

3 – O Nac deve misturar as selecções todas que houver nos treinos, mistas, femininas, juniores para criar um ambiente diversificado e o mais parecido com as competições europeias fazendo com que as diversas selecções joguem com o maior numero de pares possível  

O apuramento

Tal como disse o objectivo é incentivar que as pessoas joguem mais e que tenham a chance de ir ao torneio de selecção, isto será como prémio: de terem jogado muito, do mérito das competições que realizaram ou por algum destaque que a federação considere importante.

Assim o segundo a minha opnião o apuramento deve ser feito em 3 fases

Fase geral onde todos jogarão durante o ano para terem acesso à fase 2

Fase 2 onde entrarão os escolhidos da fase geral mais  todos os que tem acesso directo

Fase 3 apuramento dos 10 pares do Nac :  torneio apenas com 20 ou 24 pares onde os pares que ficam do Nac do ano anterior tem acesso  directo e vem os restantes da fase 2

Fase geral

Deverá  haver um torneio em que todos os pares tenham acesso (pode ser on line) e preencherá os lugares disponíveis na fase dois

Fase 2 torneio limitado só por acesso. Tentar que esteja limitado a 60 pares (para menos e não para mais) o ideal será à volta de 40 mas tem de ser defenido previamente pois é preenchido com os que ganharem o torneio geral tem acesso directo:

1 – todos os pares de primeira categoria os tais 140 pontos de categoria

2 – par que se destacou mais no rankiing do ano anterior subiu mais independente da categoria

3 – escolha de 1 par por clube desde que esse par tenha participado    em pelo menos 10 torneios (de preferência dentro de torneios do clube)

4 –  campeões de segundas quer regional quer nacioinal  

5 – campeões junior

E mais todos os pares que tenham ganho alguma competição que a federação ou as associações considerem importante ,tentar incentivar o mais possível a participação em torneios.

Fase 3 jogada por 20 ou 24 pares com acesso directo os pares do Nac do ano anterior e será preenchida até ao numero pré defendido com os vencedores da fase 2

Assim parece-me democrático todos os pares tem acesso a tentar serem selecionados

– Sabem que são dois anos de trabalho como par

– Os primeiras tem na mesma o mesmo acesso

– Incentiva-se os clubes a fazer torneios

E qualquer par que esteja a começar e tenha algum mérito durante o ano anterior consegue ir jogar com os “grandes” que penso que é o incentivo máximo dos pares é jogarem contra jogadores de grande categoria

Gonçalo Zanartu nº 1398

2021-11-14 – Victor Ferreira

Olá a todos

Gostaria de ter outras palavras para dirigir a quem, acredito que ingenuamente, tentou dar o melhor de si na organização de uma representação nacional no Campeonato Europeu de Equipas Open.

No entanto os resultados, à priori, estão à vista e demonstram cabalmente, julgo eu, o total “fiasco” desta iniciativa!

Por si só, qualquer iniciativa pode não ter ,na prática, os resultados esperados! Mas o resultado desta é inconcebível! Espero ver qual o resultado final disto tudo e saber que Selecção nos irá  apresentar no próximo Campeonato da Europa! Palpita-me que há cátedras que se irão manter por muitos e bons anos! Felicidades aos nossos representantes é o que posso desejar para que o resultado, à posteriori, seja, afinal,  muito bom!!  Há quem não goste de ver bons princípios aos filhos, não é?

Saudações bridgísticas

Victor Ferreira

2021-11-11 – Sofia Pessoa e Juliano Barbosa

   No biénio 2012/2014 foi instituído o NAC sendo constituído um Comité de Seleção (CS) com o intuito de analisar ao longo de 2 anos o desempenho de alguns pares candidatos a representar a Seleção Open de Portugal no Campeonato da Europa seguinte . O processo continuou em 2014/2016, 2016/2018 e 2018/2020, sendo integrados novos pares com base em decisões do CS.

   No final de 2019, a meio ano do Campeonato da Europa (CE), a Direção da Federação decidiu acabar com o NAC devido ao abandono, com uma exceção, dos pares selecionáveis. Considerando que o NAC tinha fracassado, promoveu para realização imediata um Torneio de Seleção por equipas com um Regulamento que continha algumas cláusulas controversas.

   Agora e, novamente a meio ano do próximo Campeonato da Europa, a nova Direção da Federação ressuscita um arremedo de NAC em que o CS vai avaliar em 3 meses (!!!) o desempenho dos pares  selecionados. Como se não bastasse esta bizarra situação, organiza um Torneio de Apuramento para o NAC exigindo que os pares participantes nesse torneio, se apurados para o NAC, prescindam em absoluto da sua candidatura a outras seleções e desobrigando 2 pares da disputa desta prova.

   Ora, na presente época, nenhum destes pares mostrou de forma evidente e inequívoca uma superioridade sobre outros pares selecionáveis. Com a pré-seleção destes pares apenas tendo por base a exigência da CS, tudo leva a crer que estarão selecionados ab initio para representar Portugal independentemente do seu desempenho e do dos outros pares concorrentes do NAC.

   Após tanto atropelo à isenção e transparência, ainda se vai mais longe publicando-se um Regulamento que vem a ser alterado dias depois, passando o IV mínimo de cada par de 150 para 140, à medida para a entrada do outro par “selecionado”.

   Por todos os motivos referidos ,este Regulamento tem gerado uma forte oposição dos filiados ao ponto de haver já um membro da Direção demissionário e de um confesso apoiante desta Direção ter manifestado a sua discordância nas páginas do Quinto Naipe.

   Em consequência e porque não reconhecem isenção ao CS – escolhido pela Direção da FPB – os abaixo-assinados, Sofia Pessoa/Juliano Barbosa, praticantes elegíveis para a Seleção Nacional, vêm repudiar este Regulamento e afirmam que não participarão no Torneio de Apuramento.

  Sofia Pessoa – filiado nº 1412

Juliano Barbosa – filiado nº 797

2021-11-06 – Paulo Gonçalves Pereira

Precisamente ao contrário dos pressupostos em que assenta a opinião do Inocêncio Araújo, acho que é essencial distinguir o processo de escolha das seleções nacionais de bridge, do estabelecimento de objetivos para a participação das mesmas nas provas da EBL e da WBF, ainda que a concretização desses objetivos possa estar condicionada pela eficiência e pela validade do método escolhido para a constituição das seleções.

Em relação ao método de escolha das seleções, as alternativas que na realidade existem são a política de OPINIÃO e a política de MÉRITO. No primeiro caso, política de OPINIÃO, que é a que esta a ser seguida pela presente Direção da FPB, é atribuído a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, o poder de escolher uma seleção nacional apenas com base em critérios pessoais e subjetivos, independentemente de quaisquer resultados obtidos, prevalecendo inevitavelmente as simpatias pessoais.

Já na opção pela política de MÉRITO, independentemente do figurino utilizado, são selecionados os pares ou equipas que, ao longo de uma prova ou conjunto de provas especificamente efetuadas ou escolhidas para o efeito, demonstrarem ser os melhores. Naturalmente que a validade deste método será tanto maior quanto mais extensas forem as provas de seleção, e que existem fatores aleatórios ( em 2 fins de semana com exatamente os mesmos pares obteremos resultados diferentes) e fatores de regulamento que poderão ter influencia nos resultados em função das características pessoais dos participantes (por exemplo o resultado tende a ser diferente se as provas forem realizadas de manha ou de noite, com maior ou menor numero de mãos por dia, com mais calor ou mais frio na sala, com ou sem dificuldades respiratórias geradas por obrigatoriedade de máscaras). Mas, em qualquer caso, se o processo tiver uma elevada extensão, só com MÉRITO se obterão os primeiros lugares, e parece-me claro que esta será uma forma muito mais justa, transparente e eficiente de se escolher a melhor seleção possível do que a política de OPINIÃO Nesta escolha também não deverá ser ignorada a consequência muito nociva para o bridge nacional que decorre da opção pela politica de OPINIÃO, em especial com o atual Comité de Seleção, que é a provável desmotivação de muitos dos melhores jogadores portugueses de bridge,  que tem naturalmente como ambição jogar na seleção open, e que com esta politica  ficam arredados da mesma, por muito bom que seja o bridge que praticam, os resultados que obtêm e o trabalho que efetuem, pois tudo isso passa completamente despercebido aos atuais membros do Comité de Seleção, completamente afastados da realidade do bridge nacional, não acompanhando nem os torneios realizados, nem o trabalho que é feito pelos pares, e por isso ideias preconcebidas, fechadas e estáticas sobre o valor dos praticantes. E isto pode conduzir vários praticantes com elevado valor e/ou potencial ao abandono da modalidade, ou pelo menos à prática da mesma com muito menor interesse e dedicação.

Um assunto completamente diferente é o objetivo com que é encarada a participação das seleções nos Campeonatos da Europa ( ou em outros) e aqui sim é que se pode ( e deve) distinguir uma politica de RESULTADO, que visa criar condições e estimular as seleções nacionais a obter melhores classificações,  a qual inclui necessariamente determinadas exigências ( e ate recompensas) associadas à efetiva presença dos pares selecionados nos Campeonatos da EBL e da WBF,  de uma política de PRÉMIO, em que a participação dos praticantes selecionados não tem quaisquer exigências associadas, sendo uma mera recompensa pelo resultado obtido num torneio de seleção.

Sobre o objetivo de participação concordo que a Direção da FPB deve adotar uma politica de RESULTADO, pois só assim se justificará plenamente a afetação de dinheiros públicos a essa participação, e que essa opção deverá ter consequências em dois momentos distintos ( o que até agora não acontece): 1) No período que decorre entre a seleção da equipa participante e a realização da prova; 2) Durante a realização da prova Durante o período que decorre entre a escolha da seleção e a realização do Campeonato,  a FPB deve exigir as equipas selecionadas um conjunto de procedimentos, que na pratica são os que estão previstos para os pares que vierem a integrar o NAC ( sob pena de substituição do par ou pares que não cumprirem esses procedimentos),  atribuir-lhes um ou mais treinadores com competências para trazer valor acrescentado à preparação da equipa e/ou à participação nos Campeonatos, os quais depois farão o papel de NPC durante a realização dos campeonatos tendo esses treinadores poderes para fiscalização do cumprimentos das regras estabelecidas durante o período de preparação ( e ate de seleção de um par substituto se algum dos pares previamente selecionados não as cumprir os procedimentos estabelecidos) , e, em paralelo, tentar fomentar a participação das seleções em encontros ou estágios com congéneres estrangeiras Durante a realização dos Campeonatos fazendo depender o incentivo à participação dos próprios resultados obtidos (a exemplo que é feito por exemplo em Espanha), sendo garantido um apoio mínimo (em princípio o equivalente à inscrição caso a equipa fique em último lugar) e depois subindo esse apoio, lugar a lugar, podendo inclusive chegar-se a um valor superior ao das despesas previstas no caso de obtenção de um dos 3 primeiros lugares. De resto uma opção deste tipo teria toda a logica, pois, os apoios do IPDJ à participação das seleções estão indexados aos resultados obtidos.

Finalmente quero aproveitar para referir que, em minha opinião, esta estratégia deverá ser seguida em todas as seleções e não apenas na Open. É evidente que é a seleção open que participa na prova mais forte, e onde está a esmagadora maioria dos melhores praticantes internacionais, mas, conforme ocorre em todas as modalidades desportivas, do ponto de vista do país o resultado obtido por uma seleção em qualquer das categorias tem o mesmo valor (ou pelo menos um valor muito próximo). Por exemplo não há maior valor na medalha do Pablo Pitchardo do que na medalha da Patrícia Mamona, apesar de ele saltar muito mais longe do que ela e da Patrícia, numa competição open, não ter qualquer possibilidade de obter um bom resultado! Quanto mais seleções forem apoiadas e quanto mais se exigir à respetiva participação, mais evoluirá o bridge nacional e a divisão das verbas disponíveis na FPB em função dos resultados obtidos parece-me ser a única formula justa para todos!

2021-11-01 – Inocêncio Araújo
Participo nesta iniciativa do Quinto Naipe, de colocar em discussão pública este tema, mais com o objectivo de levar alguns aspectos à reflexão e ponderação dos decisores, e menos em propor fórmulas ou receitas, que são da competência de quem foi legitimado para implementar uma determinada política desportiva.

Julgo que o processo de escolha da seleção nacional open dependerá sempre do principal objectivo da participação nos Campeonatos da Europa.

O objectivo poderá ser premiar os vencedores de uma prova nacional, vulgarmente conhecida por Torneio de Seleção (TS), chamemos-lhe a política do PRÉMIO, ou atingir o melhor resultado possível, a política do RESULTADO. Ambas as políticas são legítimas, desde que assumidas por quem se candidata a gerir os destinos da FPB. No primeiro caso, haverá apenas que escolher o figurino do TS, por pares ou por equipas; as opiniões dividem-se, mas as equipas parecem coadunar-se melhor à política do PRÉMIO. A equipa vencedora adquire o direito de representar o País e a FPB terá muito pouca margem de acção para exigir qualquer tipo de preparação, ficando a mesma totalmente ao critério dos jogadores. Coloca-se a questão se, neste modelo, em que o desempenho, e até a postura, durante os Campeonatos da Europa, são inconsequentes, a FPB deverá suportar ou comparticipar as despesas da participação.

Se, por outro lado, a política for o RESULTADO, há que encontrar uma fórmula que leve à formação da melhor equipa possível, ou seja da equipa que, à partida, revele capacidade para obter o melhor resultado possível. Também aqui, as opiniões dividem-se, quer a nível nacional, quer internacional, os processos variam, mas há quase sempre a intervenção de um selecionador ou de uma comissão de seleção, numa ou outra fase do processo.

Os italianos, tradicionalmente, entregam a escolha da equipa open a um selecionador nacional, Perroux, nos tempos do famoso Blue Team, Bernasconi no regresso da Itália ao topo do Bridge Europeu e Mundial, em 1995, e mais recentemente, Teresa Lavazza, que levou a Itália à conquista de inúmeros títulos europeus e mundiais. De relevar o facto de que, apesar de nenhum deles ser um jogador de topo, ninguém se lembrou de colocar em causa a sua capacidade para escolher a seleção nacional.

Já os franceses adoptaram, a partir de 2015, um modelo interessante e que os levou a excelentes resultados. O processo baseia-se numa primeira fase em que os pares candidatos a fazer parte da seleção nacional, submetem as suas candidaturas, que são avaliadas por uma Comissão de Seleção, com base no compromisso e disponibilidade manifestada, no sistema jogado, no currículo e na experiência internacional do par e dos jogadores. Escolhidos 12 pares, passa-se à fase competitiva, muito intensa, com muitas mãos, destinada, num primeiro momento a escolher 6 pares e, finalmente a escolher os 3 pares que formam a seleção nacional.

Um aspecto parece ser incontestável. Para que os resultados de uma prova de pares por imps sejam fiáveis, o campo tem de ser homogéneo e o número de mãos jogadas tem de ser muito grande.

Formada que esteja a seleção, a FPB deveria proporcionar a participação em encontros e estágios com congéneres estrangeiras.

Outro aspecto que me parece importante é a calendarização de todo o processo, até porque o mesmo tem impactos nas restantes representações nacionais. É importante que o processo de seleção da equipa open fique concluído com a antecedência suficiente dos campeonatos da europa, para que os jogadores que não foram selecionados possam participar nas provas de seleção das outras categorias, em particular das equipas mista e sénior. Provas estas que também se devem realizar com a antecedência suficiente para que os vencedores possam programar as suas vidas familiares e profissionais, e dispor de tempo para efectuarem alguma preparação para os Campeonatos Europeus em que irão participar.

2021-10-24 – Rafael Sacramento

A transparência de processos é absolutamente indispensável em qualquer decisão; sem isso a dúvida permanece e assim se mina a confiança nas instituições.

Dito isto, penso que deveria haver uma selecção prévia para o torneio de selecção; o argumento de que não há tempo não colhe uma vez que a FPB desde o início do ano tinha tido mais do que tempo para atempadamente organizar essa selecção prévia.

Quanto aos convites endereçados acho a ideia deplorável. Como já alguém disse, será que tinham medo que eles não se apurassem caso tivessem de jogar a qualificação?

Esperemos que o NAC pós Madeira seja mais claro nas suas regras.

Rafael Sacramento

 

2021-10-24 – Victor Ferreira

Saudações bridgísticas

O Luís Oliveira deu o pontapé de saída e eu pretendo dar o meu contributo embora alguns me possam criticar, outros poderão chamar-me lírico, outros poderão  dizer: Não vá o sapateiro além do chinelo, outros poderão dizer isto ou aquilo mas….eu tenho costas largas!

Não tenho nada contra a existência de um critério, seja ele qual for, que possibilite uma representação nacional minimamente aceitável em torneios internacionais de selecções de Países!

Julgo que o fundamental é que o critério seja transparente e aceite pela maioria dos jogadores, quer venham a fazer parte da selecção nacional ou não!

Como o Luís aflorou também julgo que é contraproducente a nomeação, por convite, de 2 pares! Não está em causa a qualidade dos pares mas se esses 2 pares tiverem o seu lugar garantido a situação parece-me de graves consequências! Se é para ser assim parecia-me mais lógico que alguém ( Seleccionador Nacional?) escolhesse os 3 pares que constituirão a Selecção Open! Qual o critério a utilizar pelo Seleccionador? Ficaria à sua escolha porque foi por isso que foi escolhido. Em última análise seria válida a resposta: São estes porque eu quero, posso e mando!!!

Julgo que a haver pares convidados todos os pares deveriam estar em pé de igualdade para representar Portugal!

Uma pergunta que talvez pareça descabida mas para mim não o é: A haver pares convidados para integrarem o NAC não seria possível integrar os pares que já estão perfeitamente definidos para representar Portugal no mundial de equipas mistas? Seria exequível ou não?

 

Victor Ferreira

2021-10-23 – Luís Oliveira

Hesitei muito antes de publicar este artigo de opinião, dividido entre a solidariedade a uma equipa federativa que apoiei e apoio e o meu direito à liberdade de intervenção pública sobre um assunto que considero de crucial importância para o bridge desportivo.

Refiro-me (de novo) ao tema NAC – Selecções Nacionais e ao teor da circular da FPB sobre o assunto.

O assunto Selecções foi sempre um dos pontos “quentes” do bridge, desde a discussão em torno do formato da prova de selecção (nos tempos em que tal existia), à controvérsia sobre escolhas de pares, com arranjos extra competição que são bem conhecidos. O Projecto NAC propunha-se cumprir objectivos ambiciosos e de ruptura com o passado como seja um leque mais alargado de candidatos, o enquadramento dos pares seleccionados em processos de treino e de preparação específica e a criação de alguma estabilidade nos nossos melhores pares e, finalmente, a escolha dos nossos representantes por nomeação de um Comité de Selecção.

A ideia parecia boa, mas como tantas vezes acontece, às boas ideia não sucedem necessariamente bons resultados. Com a ausência de critérios objectivos rapidamente o NAC entrou num circuito fechado e numa fonte de ruído que não só não melhorou de forma significativa o nosso histórico em competições internacionais, como não conseguiu agregar muitos dos nossos melhores praticantes nem captar simpatias entre os praticantes comuns.

Com a entrada de um novo ciclo na vida federativa pensou-se ser possível reconduzir o NAC à sua génese, com a introdução de factores correctivos, nomeadamente a credibilização das escolhas em função de resultados objectivos, explicação detalhada dos critérios e mais e melhor comunicação aos praticantes.

Decidiu a actual Direcção da FPB organizar um torneio de acesso ao NAC com o objectivo de integrar os 6 primeiros classificados no programa de preparação com vista aos próximos Campeonatos da Europa. Dada a proximidade do evento e a manifesta falta de tempo para criar um grupo de trabalho mais alargado parece-me razoável a opção por apenas 6 pares. Quando se der início a um novo ciclo julgo que este número poderá ser um pouco alargado.

O problema começa quando se decide criar uma figura de isenções de participação na prova de apuramento para o NAC, reduzindo a selecção de pares a 4 e, objectivamente, a posterior escolha da selecção a 1 par, uma vez que será ridículo pensar que os pares agora isentos não estejam, por inerência, seleccionados para representar Portugal. Esta decisão não só afecta a imagem do NAC, porventura de forma definitiva, como acaba por afectar os próprios pares beneficiários da isenção que, naturalmente, estariam entre os pares classificados, não precisando de um privilégio que não solicitaram e que, estou certo, não necessitavam.

O bridge desportivo atravessa uma fase muito complicada fruto da crise sanitária (e não só) e precisa acima de tudo de uma conjugação de vontades para tentar inverter a tendência de emagrecimento que se acentua de época para época. O decréscimo de licenciamentos, o desaparecimento de clubes de bridge, a significativa baixa do índice de participação nas competições devem ser a principal preocupação de quem dirige os destinos da modalidade. Precisamos, acima de tudo, de confiança e de transparência.

O bridge desportivo não pode sobreviver se as políticas desportivas implementadas não forem inclusivas e se as Instituições não souberem provar ao praticante comum a imperiosa necessidade de o ver integrado no projecto colectivo, com os mesmos direitos e deveres que todos os outros, independentemente da qualidade técnica de cada um ou da sua maior ou menor visibilidade no meio. O sinal dado com este Regulamento vai, precisamente, no sentido contrário.

Luis Oliveira