2021-10-24 – Rafael Sacramento

A transparência de processos é absolutamente indispensável em qualquer decisão; sem isso a dúvida permanece e assim se mina a confiança nas instituições.

Dito isto, penso que deveria haver uma selecção prévia para o torneio de selecção; o argumento de que não há tempo não colhe uma vez que a FPB desde o início do ano tinha tido mais do que tempo para atempadamente organizar essa selecção prévia.

Quanto aos convites endereçados acho a ideia deplorável. Como já alguém disse, será que tinham medo que eles não se apurassem caso tivessem de jogar a qualificação?

Esperemos que o NAC pós Madeira seja mais claro nas suas regras.

Rafael Sacramento

 

2021-10-24 – Victor Ferreira

Saudações bridgísticas

O Luís Oliveira deu o pontapé de saída e eu pretendo dar o meu contributo embora alguns me possam criticar, outros poderão chamar-me lírico, outros poderão  dizer: Não vá o sapateiro além do chinelo, outros poderão dizer isto ou aquilo mas….eu tenho costas largas!

Não tenho nada contra a existência de um critério, seja ele qual for, que possibilite uma representação nacional minimamente aceitável em torneios internacionais de selecções de Países!

Julgo que o fundamental é que o critério seja transparente e aceite pela maioria dos jogadores, quer venham a fazer parte da selecção nacional ou não!

Como o Luís aflorou também julgo que é contraproducente a nomeação, por convite, de 2 pares! Não está em causa a qualidade dos pares mas se esses 2 pares tiverem o seu lugar garantido a situação parece-me de graves consequências! Se é para ser assim parecia-me mais lógico que alguém ( Seleccionador Nacional?) escolhesse os 3 pares que constituirão a Selecção Open! Qual o critério a utilizar pelo Seleccionador? Ficaria à sua escolha porque foi por isso que foi escolhido. Em última análise seria válida a resposta: São estes porque eu quero, posso e mando!!!

Julgo que a haver pares convidados todos os pares deveriam estar em pé de igualdade para representar Portugal!

Uma pergunta que talvez pareça descabida mas para mim não o é: A haver pares convidados para integrarem o NAC não seria possível integrar os pares que já estão perfeitamente definidos para representar Portugal no mundial de equipas mistas? Seria exequível ou não?

 

Victor Ferreira

2021-10-23 – Luís Oliveira

Hesitei muito antes de publicar este artigo de opinião, dividido entre a solidariedade a uma equipa federativa que apoiei e apoio e o meu direito à liberdade de intervenção pública sobre um assunto que considero de crucial importância para o bridge desportivo. 

Refiro-me (de novo) ao tema NAC – Selecções Nacionais e ao teor da circular da FPB sobre o assunto. 

O assunto Selecções foi sempre um dos pontos “quentes” do bridge, desde a discussão em torno do formato da prova de selecção (nos tempos em que tal existia), à controvérsia sobre escolhas de pares, com arranjos extra competição que são bem conhecidos. O Projecto NAC propunha-se cumprir objectivos ambiciosos e de ruptura com o passado como seja um leque mais alargado de candidatos, o enquadramento dos pares seleccionados em processos de treino e de preparação específica e a criação de alguma estabilidade nos nossos melhores pares e, finalmente, a escolha dos nossos representantes por nomeação de um Comité de Selecção.

A ideia parecia boa, mas como tantas vezes acontece, às boas ideia não sucedem necessariamente bons resultados. Com a ausência de critérios objectivos rapidamente o NAC entrou num circuito fechado e numa fonte de ruído que não só não melhorou de forma significativa o nosso histórico em competições internacionais, como não conseguiu agregar muitos dos nossos melhores praticantes nem captar simpatias entre os praticantes comuns.

Com a entrada de um novo ciclo na vida federativa pensou-se ser possível reconduzir o NAC à sua génese, com a introdução de factores correctivos, nomeadamente a credibilização das escolhas em função de resultados objectivos, explicação detalhada dos critérios e mais e melhor comunicação aos praticantes. 

Decidiu a actual Direcção da FPB organizar um torneio de acesso ao NAC com o objectivo de integrar os 6 primeiros classificados no programa de preparação com vista aos próximos Campeonatos da Europa. Dada a proximidade do evento e a manifesta falta de tempo para criar um grupo de trabalho mais alargado parece-me razoável a opção por apenas 6 pares. Quando se der início a um novo ciclo julgo que este número poderá ser um pouco alargado. 

O problema começa quando se decide criar uma figura de isenções de participação na prova de apuramento para o NAC, reduzindo a selecção de pares a 4 e, objectivamente, a posterior escolha da selecção a 1 par, uma vez que será ridículo pensar que os pares agora isentos não estejam, por inerência, seleccionados para representar Portugal. Esta decisão não só afecta a imagem do NAC, porventura de forma definitiva, como acaba por afectar os próprios pares beneficiários da isenção que, naturalmente, estariam entre os pares classificados, não precisando de um privilégio que não solicitaram e que, estou certo, não necessitavam.

O bridge desportivo atravessa uma fase muito complicada fruto da crise sanitária (e não só) e precisa acima de tudo de uma conjugação de vontades para tentar inverter a tendência de emagrecimento que se acentua de época para época. O decréscimo de licenciamentos, o desaparecimento de clubes de bridge, a significativa baixa do índice de participação nas competições devem ser a principal preocupação de quem dirige os destinos da modalidade. Precisamos, acima de tudo, de confiança e de transparência.

O bridge desportivo não pode sobreviver se as políticas desportivas implementadas não forem inclusivas e se as Instituições não souberem provar ao praticante comum a imperiosa necessidade de o ver integrado no projecto colectivo, com os mesmos direitos e deveres que todos os outros, independentemente da qualidade técnica de cada um ou da sua maior ou menor visibilidade no meio. O sinal dado com este Regulamento vai, precisamente, no sentido contrário.

Luis Oliveira