No jogo de ST existe uma igualdade
completa entre os 4 naipes. O aparecimento do trunfo vem alterar
esta situação e implicar que, determinado naipe,
passe a ser privilegiado em relação aos restantes.
Até agora, sempre que um jogador não podia assistir
a um naipe que estava a ser jogado, baldava uma carta de outro
naipe, não podendo, em caso algum, ganhar a vaza. A existência
do trunfo vem possibilitar a um jogador nessas condições,
cortar e ganhar a vaza para o seu campo. Nada se altera relativamente
à obrigatoriedade de assistir.
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Ao exercer o direito de cortar um jogador pode fazê-lo com uma carta de ranking inferior às que foram jogadas. Por exemplo, estando a jogar um determinado contrato em que foi estabelecido o naipe de paus como trunfo, se, a certa altura, estiver a ser jogada uma vaza em espadas, tendo o jogador à sua esquerda jogado a ªD para o ªR do seu parceiro e o ªA do adversário à sua direita, pode ganhar a vaza para o seu campo com o §2, desde que não tenha espadas. É ainda possível haver mais do que um jogador em condições de cortar a mesma vaza. Neste caso ganha a vaza o jogador que efectuar o corte com a carta mais alta.
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4a:) Como
se determina o trunfo
O campo maioritário
em pontos pode determinar se o jogo vai ser jogado em ST ou em
trunfo. Para jogar em trunfo é fundamental que o campo
possua, no naipe escolhido, um número de cartas superior
ao número de cartas do campo adversário. Quando
tal se verifica diz-se que existe FIT.
O fit é de 8 cartas (mínimo)
em ª e © e de 9 cartas (mínimo) em ¨ e §. Adiante veremos o porquê desta
diferença.
O aparecimento do trunfo vem introduzir um novo conceito na contagem
dos pontos, juntando-se aos Pontos Honra (H) os Pontos de Distribuição
(D).
Os pontos de distribuição (D) são atribuídos
aos naipes com poucas cartas, depois de encontrado o fit.
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Chicana | 3 pontos |
Singleton | 2 pontos |
Doubleton | 1 ponto |
9ª carta de fit em naipe rico | 2 pontos |
10ª carta de fit em naipe pobre | 2 pontos |
Cada carta de fit a mais | 1 ponto |
No caso da chicana, o facto
de não ter qualquer carta num naipe, que não o de
trunfo, permite-lhe efectuar cortes desde a primeira vez em que
o naipe é jogado e ganhar as vazas correspondentes, mesmo
que os adversários possuam o A, R, etc..., nesse naipe.
No caso do singleton, só na segunda volta do naipe poderá
efectuar o corte, já que tem de assistir na primeira vez.
Mais difícil, portanto, realizar vazas em corte que no
caso anterior.Finalmente, no caso do doubleton, o corte só
poderá ser efectuado na terceira volta do naipe. Uma situação
em que as hipóteses de realizar vazas através do
corte são bastante menores que nos casos anteriores.
Escolhido o naipe de trunfo, deve ainda acrescentar pontos de
distribuição por cada carta de trunfo acima do mínimo
exigido.
Consultando a Tabela
de Decisão,
verificará que se mantém uma correspondência
entre o número de pontos do campo e o nível do contrato.
A diferença relativamente aos contratos de ST reside no
facto de que, para estes casos, só interessam os pontos
honra (H), enquanto para contratos trunfados os pontos são
obtidos pela soma dos pontos H com os pontos D.
4b:) As vozes
O mecanismo para se encontrar
o contrato final é, nesta fase, semelhante ao que aprendemos
para o jogo de ST.
O parceiro do jogador que disse 'Eu Abro' (respondente) está
numa de duas situações seguintes:
1) 7 ou + pontos H
O seu campo possui 20 ou mais pontos H, pelo que será maioritário.
Nestas condições, o jogador entrega ao abridor um
papel contendo os seus pontos H e a sua distribuição.
O abridor fica em condições de determinar o nível
do contrato a que vai jogar, bem como a sua natureza - se trunfado,
para o caso de existir fit, se em ST, caso contrário. No
caso de existir fit, a força combinada é calculada
pela soma dos pontos DH (Honra + Distribuição).
Em caso de igualdade entre as duas mãos, o declarante é o abridor |
2) Menos de 7 pontos
Se o parceiro do abridor tiver menos de 7 pontos, não existe
qualquer garantia de que o seu campo seja maioritário.
Neste caso deverá indicar ao parceiro apenas o número
de pontos H. Só depois do abridor se assegurar da existência
de 20 ou mais pontos se poderá desencadear o processo referido
no caso A), com a indicação, pelo parceiro do abridor,
da distribuição do seu jogo.
No caso da força combinada ser inferior a 20 pontos, o
jogador à esquerda do abridor receberá do seu parceiro
o registo dos seus pontos H e da sua distribuição,
assumindo o papel de abridor e declarando o contrato a ser jogado.
4c:) Anotação de resultados
Para se estabelecer um
resultado foram estabelecidas pontuações, correspondentes
ao número de vazas prometidas e realizadas. Os contratos
foram divididos, quanto à sua natureza, em:
PARCIAIS, PARTIDAS ou CHELEMES,
dependendo do número de vazas prometidas.
Os campos podem ainda encontrar-se em duas situações
distintas: VULNERÁVEL ou NÃO VULNERÁVEL.
Para cada um dos tipos de contrato referidos, existe um prémio
que será adicionado aos pontos obtidos pelo número
de vazas realizado. Estas pontuações só serão
atribuídas no caso de o contrato ter sucesso. A pontuação
atribuída a cada vaza varia de acordo com a natureza do
contrato - ST ou trunfado e, neste último caso, de acordo
com o naipe escolhido para trunfo.
4c1:) Em ST
As pontuações
em ST já foram abordadas no CAPÍTULO 3. Com o aparecimento da noção
de vulnerabilidade, altera-se o valor do prémio para contratos
de Partida ou Cheleme. Assim, quando o campo está NÃO VULNERÁVEL o prémio de partida é
de 300 pontos e o prémio de cheleme 500 ou 750, conforme
se trate de um pequeno cheleme (12 vazas) ou de um grande cheleme
(13 vazas). Quando o campo está VULNERÁVEL
os prémios referidos são, respectivamente, 500,
750 e 1500 pontos.
Não se esqueça que só tem direito a estes
prémios se, para além de realizar o número
mínimo de vazas para cada uma das situações,
tenha assumido o compromisso ao estabelecer o Contrato.
No caso dos chelemes, o prémio é adicionado aos
pontos referentes ao número de vazas realizado e ao prémio
de partida.
EXEMPLO 1 - Não Vulnerável
Contrato: 6ST (12 vazas)
Pontuação
(1x40+5x30)+300+500 = 990 pontos, sendo 40 o valor correspondente
à primeira vaza em ST, 30 o valor de cada uma das restantes,
300 o valor do prémio de partida e 500 o valor do prémio
de cheleme.
EXEMPLO 2 - Vulnerável
Contrato: 6ST (12 vazas)
Pontuação
(1x40+5x30)+500+750 = 1440 pontos. A diferença
para o caso anterior resulta da diferença de valores dos
prémios de partida e de cheleme.
4c2:) Em trunfo
Em contratos trunfados
não existe diferença entre o valor a atribuir à
primeira vaza e as restantes. No entanto, o valor das vazas varia
de acordo com o naipe escolhido para trunfo.
Em ª e ©, por cada nível de contrato
marca 30 pontos. Em ¨ e §, por cada nível de contrato
marca 20 pontos.
Assim, para obter o prémio de partida em ST, um campo tem
de estabelecer e cumprir um contrato de nível 3 (40+30+30),
ou superior. Em trunfo, o prémio de partida é obtido
para contratos de nível 4, quando jogado em ª ou em ©, e de nível 5 quando jogado
em ¨ ou em §.
Este conceito de hierarquia nos naipes traduz-se na denominação
de NAIPES RICOS (ª e ©) e de NAIPES POBRES
(¨ e §).
A condição de vulnerabilidade ou não vulnerabilidade
é pré-estabelecida. No decorrer do curso ser-lhe-ão
fornecidos estojos contendo jogos previamente preparados. Os estojos
estão identificados por um número e as cartas correspondentes
a cada jogador encontram-se em cada um dos quatro lados do estojo,
identificados pela posição que cada jogador ocupa
à mesa - N, S, E ou O, como está representado na
figura abaixo.
A vulnerabilidade vem definida
nos estojos. Quando um campo está vulnerável, o
receptáculo onde se encontram as cartas respectivas está
identificado com as letras VUL ou possui uma marca vermelha. No mesmo
estojo está identificado o jogador que, por definição
é considerado o dador e que varia de jogo para jogo, rodando
de 90º. Assim, o dador está situado em NORTE nos jogos
1, 5, 9 e 13, em ESTE nos jogos 2, 6, 10 e 14, em SUL nos jogos
3, 7, 11 e 15 e em OESTE nos jogos 4, 8, 12 e 16. Nos jogos 1,
8, 11 e 14 ninguém está vulnerável, nos jogos
2, 5, 12 e 15 está vulnerável a linha NS, nos jogos
3, 6, 9 e 16 está vulnerável a linha EO e nos jogos
4, 7, 10 e 13 estão ambas as linhas vulneráveis.
O facto de um campo estar vulnerável implica, em caso de
insucesso, uma penalização mais pesada. Os 50
pontos por cada vaza a menos realizada, tal como foram referidos
anteriormente, aplicam-se quando o campo está NÃO VULNERÁVEL. Caso contrário a penalização
será de 100 pontos por cada vaza a menos ou cabide.
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