Regras elementares do jogo
defensivo
O flanco constitui um dos aspectos mais importantes do jogo e,
seguramente o mais difícil. Estatisticamente, um jogador
está de flanco o dobro das vezes em que está a cartear.
Enquanto declarante, o seu objectivo é realizar o número
de vazas que prometeu. Em flanco, o objectivo é tentar
impedir o declarante de cumprir o contrato. Por outras palavras,
em cada jogo existem dois objectivos antagónicos. Se, por
exemplo, o declarante estabeleceu um contrato pelo qual está
obrigado a realizar nove vazas, o flanco tem também o seu
contrato a cumprir. Neste caso, o de realizar cinco vazas. Como,
no final, o somatório das vazas realizadas pelos dois campos
será sempre 13, jogo a jogo, um dos campos ficará
aquém do objectivo.
7a:) A defesa em ST
Regra geral, os jogos em ST constituem uma corrida no apuramento
de vazas para os dois campos. A não existência de
trunfo é convidativa para que se tentem apurar cartas de
naipes compridos. Os jogadores em flanco partem em desvantagem.
Eles sabem que o campo do declarante é maioritário
em pontos. No entanto, a defesa também possui as suas armas.
Uma delas é a escolha da carta de saída, o que lhe
confere um tempo de avanço. Digamos que, dado o tiro de
partida, o flanco, se for feliz na escolha da saída, poderá
adquirir um avanço importante para atingir os seus objectivos...
7a1:) A escolha do naipe
de saída
Contra contratos de ST é normal que a defesa tente apurar
os seus naipes compridos. Quanto mais longo for o naipe, maior
será o seu potencial para produzir vazas. Ao mesmo tempo,
os jogadores de flanco tentarão impedir o apuramento de
vazas pelo declarante. Ao jogador a quem compete escolher a carta
de saída é conferida uma boa vantagem nesta corrida,
pelo facto de lhe pertencer a primeira iniciativa. Mas é
também sobre ele que recai uma enorme responsabilidade.
Nem sempre é fácil fazer com que esta vantagem teórica
se traduza em bons resultados prácticos.
Neste, como em quase todos os outros aspectos deste jogo, não
existem receitas milagrosas. Cada mão constitui um novo
problema e um novo desafio. Podemos, apesar de tudo, estabelecer
algumas normas gerais que a experiência tem demonstrado
serem eficazes. Assim:
AS BOAS SAÍDAS
Naipe de 5 ou mais cartas, quanto mais sólido melhor. Entre
dois naipes de comprimento desigual deve escolher o mais longo.
Ex: AV972; RDV94; DV1087
AS SAÍDAS RAZOÁVEIS
Um naipe de 4 cartas de boa qualidade
Ex: R1084; D1075; V1098; DV97
AS SAÍDAS POSSÍVEIS
Um naipe de 4 cartas de qualidade medíocre
Ex: D732; 10982; R654
Um naipe de 3 cartas encabeçado por 2 cartas altas
Ex: RD10; V105; 1097
AS SAÍDAS A EVITAR
Singletons
Doubletons com carta alta
Ex: A8; R10; D2; etc...
7a2:) A escolha da carta
de saída
Escolhido o naipe torna-se necessário decidir qual a carta
a jogar na saída. A ordem pela qual um defensor joga as
suas cartas não é indiferente, mesmo quando não
influencia directamente a futura realização de vazas.
Com efeito, essa ordem serve para transmitir informações
ao parceiro.
I) Se o naipe escolhido para a saída possuir três
ou mais cartas em sequência, das quais pelo menos uma for
figura, joga-se, em primeiro lugar, a carta mais alta da sequência,
chamada cabeça
de sequência.
A saída ideal é a uma cabeça de sequência
de um naipe comprido.
Ex: RDV82; DV1074; V1098;
109862
(As cartas escolhidas como cartas de saída encontram-se
sublinhadas)
II) Com um naipe comprido sem sequência deve sair à
3ª carta de um naipe de 4 cartas ou à 5ª carta
de um naipe de 5 ou mais cartas - ordem decrescente.
Ex: R1072; R10743; R108642
7a3:) Carta a jogar
em 3ª posição
Após a saída do seu parceiro à 3ª/5ª
carta do seu naipe mais comprido, compete-lhe jogar a carta mais
alta que possuir no naipe. Esta regra só deve ser ignorada
em situações muito especiais, como seja o aparecimento
de uma figura do morto de valor inferior à sua figura mais
alta. Nesta situação é normal guardar a nossa
figura a fim de impedir uma entrada no morto. Repare nos seguintes
exemplos:
1. O seu parceiro saiu ao ª2, a 5ª carta do seu naipe mais
comprido.
ª 975 |
||
ª 2 |
![]() |
ª R103 |
O declarante mandou jogar o
ª5 do morto. Que carta jogar?
Deve jogar o ªR. O seu parceiro pode ter saído
com o seguinte naipe - ªAD842. Sem nenhuma sequência,
teve de sair à 5ª carta do naipe. Se meter o ªR e continuar no naipe, o seu campo realiza cinco vazas.
Caso jogue outra carta o declarante irá ganhar a vaza com
o ªV.
2. De novo a saída é ao ª2.
ª D75 |
||
ª 2 |
![]() |
ª R103 |
O declarante mandou jogar o
ª5 do morto. Que carta jogar?
Neste caso deve jogar o ª10, ficando a defender a ªD do morto. Mesmo que o seu parceiro tenha ªA9842, o declarante terá sempre uma vaza no
naipe.
3. Quando possuir duas cartas equivalentes, RD, DV, V10, etc...,
deve jogar a carta mais baixa da sequência, ao contrário
do que lhe foi indicado para a escolha da carta de saída,
no caso de possuir sequência.
4. Atente no exemplo seguinte:
ª 1032 |
||
ª 4 |
![]() |
ª DV9 |
O declarante mandou jogar pequena
do morto. Que jogar?
Trata-se duma situação muito semelhante à
anterior. Deve jogar o ª9. Com o ª10
à vista, a sua carta irá forçar uma figura
grande do adversário, facto que será revelador para
o seu parceiro. Se jogar o ªV e o declarante fizer a vaza, o seu
parceiro irá assumir que o declarante possui também
o ª9.
5. Uma variante relativamente ao ponto 2) acontece quando o declarante
manda jogar a figura do morto. Nesse caso deve, em princípio,
cobrir essa figura com uma figura da sua mão. Isto, claro
está, caso tenha uma carta maior que a do morto. Ninguém
lhe pede impossíveis...
7a4:) Carta a jogar
em 4ª posição
Duas regras, tão simples quanto óbvias:
1ª - Se puder ganhar a vaza, faça-o com a carta mais
económica possível
ª 1098 |
||
ª 7 |
![]() |
ª AV3 |
ª 4 |
O declarante jogou o ª4 da mão, para o ª7
do seu parceiro e o ª8 do morto. Ganhe a vaza com o ªV.
2ª - Se a carta jogada pelo parceiro já é suficiente
para o seu campo ganhar a vaza, jogue uma carta pequena.
ª 1072 |
||
ª V |
![]() |
ª R95 |
ª 4 |
O declarante jogou o ª4 da mão, para o ªV
do seu parceiro e o ª2 do morto. Jogue pequena, uma vez
que a carta do seu parceiro é suficiente para o seu campo
ganhar a vaza.
7a5:) Carta a jogar
em 2ª posição
A táctica a utilizar pelo jogador em 2ª posição
é mais complicada que nos casos anteriores. Apesar de tudo,
devem respeitar-se algumas normas básicas.
1ª - Se a carta jogada à sua direita é uma
pequena deve jogar também uma carta pequena.
ª A92 |
||
ª D64 |
![]() |
ª ? |
ª 3 |
O declarante jogou pequena
em direcção ao morto. Jogue o ª4.
2ª - Quando, à sua direita, o adversário jogar
uma figura, deve cobrir. Esta regra deu origem a uma das mais
conhecidas máximas do Bridge - figura sobre figura e que, como todas as regras, nem sempre deve ser aplicada.
ª AD2 |
||
ª R63 |
![]() |
ª ? |
ª V |
O declarante partiu de ªV da mão. Se ele tiver também o ª10 terá garantidas, pelo menos, 3 vazas no naipe. Mas repare no que acontece se o ª10 estiver na mão do seu parceiro. Se jogar pequena, o declarante vai jogar pequena do morto e, consequentemente, ganhar a vaza. Em seguida irá jogar uma pequena carta para a ªD e realizar 3 vazas no naipe. No entanto, se cobrir o ªV do declarante com o ªR ele será obrigado a jogar o ªA do morto e, mais tarde, o ª10 do seu parceiro garantirá uma vaza para o seu campo. Neste exemplo é evidente a vantagem de aplicar a regra. Mas nem sempre é assim tão nítido:
ª D72 |
||
ª ? |
![]() |
ª R95 |
ª ? |
O declarante mandou jogar a
ªD do morto. Que fazer?
Trata-se dum problema semelhante ao anterior. Deve cobrir com
o ªR, garantindo 1 vaza para o seu campo
sempre que o seu parceiro possua o ª10
do naipe.
7a6:) Carta a jogar
em 1ª posição
Em determinada altura do jogo ganhou 1 vaza. Como continuar?
O problema é agora menos complicado que o da escolha da
carta de saída. Nesta fase existem muito mais informações
disponíveis. O jogo do morto está à vista,
é possível fazer uma ideia aproximada da mão
do declarante e, além disto, temos a indicação
dada pelo parceiro após a saída. É normalmente
correcto voltar ao naipe do parceiro. A menos que existam razões
evidentes para não o fazer, como no exemplo seguinte:
ª RD109 |
||
ª 4 |
![]() |
ª A6 |
ª 2 |
O seu parceiro saiu ao ª4. O declarante mandou jogar o ªR
do morto. Ganhou a vaza com o ªA. Será de continuar no naipe?
Analisando as cartas do morto, tudo indica que o melhor é
escolher outro naipe.
7a7:) A balda como sinalização
Quando um jogador não pode assistir por não ter
cartas em determinado naipe, terá de baldar uma carta de
outro naipe. A carta escolhida para o efeito deve indicar o naipe
da sua preferência.
Existem vários métodos que possibilitam obter esta
informação. Para já vamos aprender o mais
simples. É a chamada
directa. Ao baldar
uma carta alta de determinado naipe (que não faça
falta ao seu jogo) está a informar o parceiro do seu interesse
nesse naipe. Ao contrário, a balda de uma carta baixa,
nega interesse nesse naipe, ao mesmo tempo que mostra preferência
por um dos restantes. Saber qual desses naipes é não
constitui, na maioria dos casos, grande dificuldade, após
uma leitura cuidadosa do jogo do morto e dos dados já disponíveis
pelo desenrolar dos acontecimentos.
Estes passos visam transmitir o máximo de informação
ao parceiro mas não são imperativos. Quer dizer
que, por ter recebido uma preferência do seu parceiro, não
é obrigado a obedecer a essa indicação, se
considerar existir outra linha de jogo mais eficaz. O objectivo
das sinalizações em flanco é, exactamente,
o trocar o máximo de informações possíveis
a fim de optar pela acção mais conveniente.
7b:) A defesa em contratos
trunfados
A diferença mais significativa relativamente à defesa
em ST reside na filosofia aplicada à escolha da carta de
saída. Em contratos trunfados a expectativa de apuramento
de cartas de naipes compridos é quase nula, já que
o declarante beneficia dos poderes do trunfo para se proteger
contra essa eventualidade.
AS BOAS SAÍDAS
I - Naipes encabeçados por A e R
Deve sair ao A - cabeça de sequência
II - Singletons
Desde que possua trunfos para poder realizar vazas em corte
III - Sequências com figuras
Sair à cabeça de sequência
AS SAÍDAS A EVITAR
I - Singletons a trunfo
O facto de possuir apenas 1 carta de trunfo significa que o naipe
se encontra mal distribuído para o declarante. Deixe que
ele o descubra por si próprio.
II - Saídas debaixo de Ás
Salvo em situações muito especiais, é uma
saída que envolve grandes riscos. Pode implicar a perda
de 1 vaza para a defesa.
III - Saída debaixo de Rei em naipe comprido
É uma saída de risco. Contra contratos trunfados,
dificilmente se conseguem realizar vazas de comprimento. Uma saída
debaixo de R provoca, muitas vezes, a perda de uma vaza.
ª D4 |
||
ª R8765 |
![]() |
ª V103 |
ª A92 |
A saída ao ª5
vai permitir ao declarante
não perder vaza nenhuma no naipe, bastando-lhe jogar a
ªD do morto.
IV - Saída a doubleton de figura (excepto se naipe anunciado
pelo parceiro)
V - Saída a doubleton de um 2º naipe anunciado pelo
declarante.
Pode agora praticar, realizando alguns exercícios de saídas. Na linha de baixo está indicado o contrato final. Compare as suas respostas com as nossas soluções. Se conseguir 9 ou 10 respostas certas, parabéns. Será por certo um futuro especialista na matéria. Com 7 ou 8 respostas certas, está quase a alcançar o topo. Faça uma pequena revisão dos itens referentes às respostas que falhou. Se acertar em 5 ou 6 dos problemas, precisa de perder um pouco mais de tempo com este assunto. Uma revisão atenta do capítulo vai dar-lhe a possibilidade de, rapidamente, se cotar a bom nível nesta matéria. Com menos de 5 respostas certas, justifica-se uma especial atenção do seu monitor de curso. Não hesite em solicitar a sua ajuda.
CASO 1 | CASO 2 | CASO 3 | CASO 4 | CASO 5 |
ª DV8 © 84 ¨ 973 § AV972 |
ª RD105 © 73 ¨ V652 § R98 |
ª R7654 © 73 ¨ R65 § D98 |
ª 76 © AR83 ¨ A652 § V98 |
ª 762 © V103 ¨ V105 § ARV8 |
3ST | 3ST | 3ST | 3ª | 4ª |
CASO 6 | CASO 7 | CASO 8 | CASO 9 | CASO 10 |
ª R1084 © V764 ¨ D73 § 82 |
ª D1052 © 873 ¨ V62 § 108 |
ª RD10 © 7654 ¨ V32 § D108 |
ª AR3 © R9876 ¨ 32 § V76 |
ª A754 © V3 ¨ V1098 § D32 |
3ST | 3ST | 3ST | 3¨ | 4© |
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