Federação Portuguesa de Bridge

Política de Sistemas

Política de Alertas

Política de Sistemas

1. OBJECTIVOS

A presente política de sistemas pretende assegurar oportunidades iguais e justas para todos os competidores, deixando ao mesmo tempo espaço para o progresso e inovação em matéria de sistemas; pretende também garantir que os praticantes não tenham dúvidas relativamente ao que se espera deles quanto à preparação e divulgação do seu material de sistemas.
Esta política aplica-se a todas as provas oficiais da FPB, bem como a todas as provas homologáveis.

2. DEFINIÇÕES

GERAIS
Mão média, uma mão que tem 10 pontos de honra sem valores distribucionais.
Fraca, uma mão com força em pontos de honra inferior à de uma mão média.
Forte, uma mão com um Rei ou mais que uma mão média.
Natural, uma voz ou jogada que não é uma convenção (tal como definida no CIB)
Comprimento, três cartas ou mais.
Curteza, duas cartas ou menos.
Encontro grande, um encontro de 17 ou mais mãos.
Encontro pequeno, um encontro com menos de 17 mãos.

SISTEMAS ALTAMENTE INVULGARES
Para efeitos desta Política, um Sistema Altamente Invulgar (SAI) significa qualquer sistema que, em termos de acordo do par, utilize uma ou mais das seguintes características:
a) Um "Passe" em posição de abertura que indique valores geralmente aceites para abrir ao nível de um, mesmo que possa haver alternativas fracas.
b) Uma abertura ao nível de um que possa ser mais fraca do que um "Passe".
c) Uma abertura ao nível de um que possa ser feita com uma mão com um Rei ou mais abaixo da mão média.
d) Uma abertura ao nível de um que mostre em alternativa comprimento ou curteza num determinado naipe.
e) Uma abertura ao nível de um que mostre em alternativa um comprimento num determinado naipe ou um comprimento noutro naipe, excepto as aberturas em 1 ou 1" em sistemas de "Pau Forte" ou "Ouro Forte", respectivamente.

CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS
Todo o material relativo a um sistema (folha de convenções e folhas suplementares) deve ser identificado de modo a facilitar o seu reconhecimento e manuseamento, por meio de um autocolante colorido ou da denominação de uma cor, de acordo com o seguinte:

VERDE Natural.
AZUL "Pau Forte" ou "Ouro Forte", em que 1 ou 1", respectivamente, são sempre fortes.
VERMELHO Artificial: esta categoria inclui todos os sistemas artificiais que não se caracterizam como Sistemas Altamente Invulgares, acima definidos, nem como sistemas de "Pau Forte" ou "Ouro Forte". EXEMPLOS: um sistema em que 1 mostre um de três tipos de mão - natural com naipe de Paus, uma mão balançada de força determinada ou uma mão forte de qualquer tipo -; OU um sistema em que os métodos de base variem consoante a vulnerabilidade e/ou a posição (excepto o valor das aberturas em Sem Trunfo); OU um sistema onde existam vozes convencionais "fracas" ou "com significados múltiplos" (com ou sem variantes fracas) em leilões potencialmente competitivos, excepto as descritas no Livro de Convenções da WBF.
AMARELO Sistema Altamente Invulgar (SAI), atrás descrito.

CONVENÇÕES E TRATAMENTOS CASTANHOS
As seguintes convenções ou tratamentos são classificados como "castanhos":
a) Uma abertura entre 2 e 3 (inclusive) que possa ser fraca e que não prometa pelo menos 4 cartas num naipe conhecido.
EXCEPÇÃO: se, quando a abertura for fraca, a voz mostrar sempre pelo menos 4 cartas num naipe conhecido, e em todas as outras variantes mostrar uma mão com pelo menos um rei acima da força média;
EXCEPÇÃO: uma abertura num naipe menor ao nível de 2 que mostre um "2 fraco" em qualquer dos naipes ricos, com ou sem variantes fortes, tal como descrito no Livro de Convenções da WBF, sendo neste caso permitidas aos adversários medidas defensivas, conforme o adiante exposto em 6.
b) Qualquer intervenção, sobre uma abertura natural em 1 de naipe, que não mostre 4 ou mais cartas num naipe conhecido.
EXCEPÇÃO: intervenções naturais em sem-trunfo.
EXCEPÇÃO: um cue-bid que mostre uma mão forte.
EXCEPÇÃO: um cue-bid em salto no naipe conhecido do adversário que peça ao parceiro para marcar 3 ST com uma paragem nesse naipe.
c) Qualquer marcação fraca, bicolor, ao nível de dois ou de três, que possa por sistema ser efectuada com três ou menos cartas num dos naipes do bicolor.
d) Marcações psíquicas protegidas pelo sistema ou forçadas pelo sistema (por exemplo, uma voz de 2 , bicolor de ricos, com resposta obrigatória de 2", não se pode usar com mãos fracas que planeiam passar sobre a resposta de 2").
Nenhuma das restrições enunciadas se aplica quer a defesas convencionais contra aberturas artificiais fortes quer a defesas contra convenções "castanhas" ou SAIs.
Adicionalmente à classificação de sistemas atrás descrita, qualquer par que jogue um sistema VERDE, AZUL ou VERMELHO é obrigado a adicionar ao mesmo a indicação de CASTANHO se usar uma ou mais convenções ou tratamentos do tipo acima indicado.

SINAIS CIFRADOS
Adicionalmente às restrições aos sistemas de marcação e às convenções acima definidas, os pares não podem utilizar métodos de sinalização por meio dos quais mensagens transmitidas por esses sinais sejam escondidas do declarante devido à utilização de alguma chave conhecida apenas pelos defensores (i.e. sinais cifrados não são permitidos).

ABERTURAS ERRÁTICAS
Não se podem abrir mãos que, por acordo do par, tenham menos de 8 pontos de figura e relativamente às quais não seja fornecida qualquer outra definição.

3. SISTEMAS PERMITIDOS NOS CAMPEONATOS E TORNEIOS OFICIAIS DA FPB

Em relação aos Sistemas permitidos em provas da FPB, e sem prejuízo da consulta do regulamento específico de cada prova, estas são divididas em três Categorias:

Categoria 1
Torneio de Selecção (nas fases em que o respectivo regulamento o disponha), Campeonato Nacional de Equipas Open e Sunday Times Nacional:
São autorizados todos os sistemas.
Pares que utilizem SAIs, assim como pares que utilizem convenções "castanhas", deverão entregar antecipadamente o seu material de sistemas, devidamente preenchido, em local, hora e condições a especificar no regulamento da prova.
Quando uma equipa em que pelo menos um dos pares utilize SAIs defrontar outra equipa em que nenhum dos pares utilize tais sistemas, a primeira será considerada sempre "visitante", pelo que apresentará sempre a sua formação em primeiro lugar.
Não existirão direitos especiais nem restrições de formação das equipas quando ambas tiverem pares que utilizem SAIs.
Categoria 2
Encontros de equipas e torneios de pares com pelo menos 16 mãos:
O uso de SAIs é proibido.
A cada par é permitido o uso de até 3 convenções "castanhas", desde que entregue antecipadamente o seu material de sistemas, devidamente preenchido, em local, hora e condições a especificar no regulamento da prova; simultaneamente deverá sugerir, como parte da sua folha de convenções, uma defesa contra cada uma das suas convenções "castanhas", defesa essa que poderá assim ser consultada à mesa pelos adversários.
O disposto no parágrafo anterior só é aplicável em torneios de pares quando tal for expressamente previsto pelo regulamento da prova.
Categoria 3
Todos os torneios não incluídos nas categorias 1 e 2:
É proíbido o uso de SAI's e de convenções e tratamentos "castanhos".

4. MATERIAL DE SISTEMAS
Nas provas em que sejam permitidos SAIs, os pares que usem sistemas desse tipo deverão submetê-los na íntegra e por escrito antes do início do torneio. Os pares que utilizem qualquer dos restantes tipos de sistema poderão também ser obrigados pelo regulamento específico de cada prova a entregar, antes do seu início, as suas folhas de convenções e as respectivas folhas suplementares.
Qualquer jogador que tenha dúvidas quanto à classificação de um sistema ou convenção, quer do seu par quer do par adversário, poderá solicitar ao Conselho Técnico da FPB a respectiva análise e classificação.
Se no decorrer de uma prova surgirem dúvidas sobre a classificação de um sistema ou convenção, o Director do Torneio incluirá uma cópia desse sistema ou convenção no seu relatório, para posterior análise e decisão do Conselho Técnico. Nenhum par poderá recusar-se a entregar ao CT o seu sistema completo para esse efeito.

5. FOLHAS DE CONVENÇÕES E FOLHAS SUPLEMENTARES

O princípio da descrição adequada dos sistemas requer que os pares divulguem completamente o significado das suas marcações, e, muito particularmente, de todas as convenções e tratamentos que necessitem de uma preparação defensiva especial. Para atingir este objectivo, além da sua folha de convenções, deverão, se necessário, usar folhas suplementares.
As entradas nessas folhas suplementares devem ser numeradas, de modo a que a referência cruzada com a folha de convenções se faça de modo fácil e rápido. As folhas suplementares devem ser facilmente legíveis e as entradas numeradas devem estar nitidamente separadas. Se bem que essas entradas devam ser breves (sobretudo nas provas de categoria 2 e 3), é prioritário que as descrições sejam correctas e completas.
Em todas as provas da FPB é obrigatório o uso da folha de convenções, devidamente preenchida, bem como das folhas suplementares, quando necessárias.
A página de rosto da folha de convenções inclui obrigatoriamente:
" Todas as aberturas artificiais (excepto aberturas de 1 ou 2 fortes), bem como outras que pelas suas características possam ser consideradas como invulgares, e, por esse motivo, necessitem de preparação de uma defesa específica.
" Respostas fracas e convencionais a aberturas naturais.
" Vozes defensivas convencionais usadas sobre aberturas naturais em 1 de naipe, nomeadamente as que se referem a intervenções com bicolores, as quais devem ser descritas precisamente; havendo falta de espaço, o melhor modo de proceder é escrever, por exemplo, "Bicolores", com a referência a uma entrada nas folhas suplementares.
" A indicação de todas as convenções e tratamentos que necessitem de uma preparação defensiva especial; a sua descrição deve ser feita em detalhe no local apropriado da folha de convenções, ou, à falta de espaço, nas primeiras entradas numeradas das folhas suplementares.
Os pares que não apresentarem folha de convenções ficam sujeitos às seguintes consequências:
a) Pares que joguem um sistema não natural (portanto diferente de VERDE), ficam obrigados a jogar o Sistema Base de Marcação (folha de convenções a fornecer pelo Director do Torneio).
b) A falta da folha de convenções constituirá, nomeadamente na decisão de questões de arbitragem, um factor desfavorável para o par faltoso.
Também, se um par usar uma voz que não estiver descrita no local adequado da folha de convenções ou da(s) folha(s) suplementar(es), e, por esse facto, os adversários não atingirem o seu melhor contrato, haverá uma forte presunção nas decisões de questões de arbitragem de que terão sido prejudicados por não terem podido preparar uma defesa adequada. O par infractor deve também assumir que poderá ser sujeito a uma rectificação de resultado por esse mesmo facto.
Qualquer par que jogue um SAI ou convenções "castanhas" (ou outras que pelas suas características possam ser consideradas como invulgares) tem uma obrigação muito especial de apresentar uma descrição completa, tanto das suas vozes como dos desenvolvimentos subsequentes (especialmente em situações competitivas). Se esse par efectuar um leilão incorrecta ou incompletamente descrito, aplica-se a mesma presunção de "falta de informação" descrita no parágrafo anterior, nomeadamente em relação a rectificações de resultados em questões de arbitragem.
Em alguns torneios, o respectivo regulamento poderá obrigar a que os pares entreguem antecipadamente o seu material de sistemas. Nesses casos o regulamento estabelecerá a data, local e forma de entrega do material de sistemas de cada par, bem como o(s) contacto(s) da(s) pessoa(s) mais indicadas para lidar com as questões relativas aos mesmos. O não cumprimento desta norma poderá sujeitar o par infractor a penalizações de procedimento.
Após a data determinada para a entrega do material de sistemas, no que respeita a quaisquer alterações ao material de sistemas entregue, aplicar-se-á o seguinte:
a) É permitida a eliminação de um item ou de uma convenção, por comunicação ao Director do Torneio.
b) Uma alteração de substituição de um item ou convenção, bem como a introdução de uma nova convenção, poderá ser permitida pelo Director do Torneio, excepto se se tratar de uma convenção "castanha".
c) Essa alteração ou introdução vigorará no dia seguinte à sua comunicação pelo Director do Torneio aos outros participantes
d) Não é permitida a introdução de uma nova convenção "castanha", nem a substituição de uma convenção "castanha" por outra convenção "castanha".

6. DEFESAS CONTRA SAIs E CONVENÇÕES CASTANHAS

Para provas da Categoria 1 aplicar-se-ão às defesas contra SAIs as seguintes regras:
a) O par que jogar contra um SAI deverá apresentar antes do encontro, em local e data a indicar no regulamento da prova, duas cópias legíveis das suas defesas contra esse SAI, as quais serão consideradas parte integrante da folha de convenções do respectivo par, e, como tal, acessíveis ao par oponente.
b) Na preparação da defesa contra um SAI, os pares que usem sistemas VERDES, AZUIS ou VERMELHOS poderão alterar o seu próprio sistema, incluindo as vozes de abertura. Os pares que usem SAIs não poderão alterar as suas aberturas.
c) O par que usa um SAI deverá informar os adversários por escrito (duas cópias legíveis) acerca das suas contra-defesas, antes do início da sessão. Na preparação da contra-defesa, o par com o SAI não pode alterar nenhum dos aspectos altamente artificiais do seu sistema.

Para provas das Categorias 1 e 2 aplicar-se-ão às defesas contra convenções "castanhas" as seguintes regras:
Qualquer par pode preparar defesas escritas contra os elementos "castanhos" do sistema do par adversário. Essas defesas serão entregues a esse par (duas cópias legíveis) em local e data a indicar no regulamento da prova, e serão consideradas parte integrante da respectiva folha de convenções.


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Política de Alertas

O objectivo destas normas é dispor de uma política clara e uniforme em relação aos alertas, aplicável em todas as provas oficiais da FPB, assim como em todas as provas homologáveis.
Explicações correctas e completas são vitais. Espera-se que os jogadores se protejam (e protejam os adversários), procedendo de acordo não só com a letra do CIB mas também com o seu espírito.
Esta política de alertas foi feita tão simples quanto o possível. Em caso de dúvida, os jogadores devem sempre alertar (note-se que, em competições com cortinas, um alerta de um dos lados da cortina que não seja feito do outro não implica necessariamente uma infracção).
Os seguintes tipos de acções devem ser alertados:
" Todas as marcações convencionais devem ser alertadas (uma marcação convencional é aquela que transmite informação não necessariamente relacionada com a denominação da voz, ou então informação adicional não contida nessa designação, por exemplo que esta além do naipe declarado descreve um bicolor).
Marcações não-convencionais não devem ser alertadas (por exemplo, uma abertura em 2 mostrando um unicolor de copas não é considerada, independentemente da força da mão, como uma marcação convencional).
" Marcações que tenham significados especiais, bem como marcações baseadas em (ou que conduzam a) acordos especiais entre os parceiros. Com efeito, um jogador não pode dar uma voz, nem fazer uma jogada, baseada num entendimento do par, se não for razoavelmente expectável que o par adversário entenda o seu significado, a menos que tenha divulgado o uso dessa voz ou jogada de acordo com os regulamentos gerais e específicos da prova (ver Artigo 40B).
" Mudanças de naipe em salto não-forcing, em resposta a aberturas ou intervenções, e respostas com mudança de naipe não-forcing, por uma mão não passada, a aberturas ao nível de um.
Se não estiverem a ser usadas cortinas, não se alertam os seguintes tipos de vozes:
" Todos os dobres.
" Qualquer voz em "sem trunfo" que sugira uma mão balançada ou semi-balançada, ou que sugira um contrato em ST.
" Todas as marcações ao nível de 4 ou acima, excepto vozes convencionais na primeira volta do leilão.

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